Este artigo aborda substâncias psicoativas destinadas a adultos (18+). Consulte um médico se tiver problemas de saúde ou tomar medicamentos. A nossa política de idade
Rega da cannabis: frequência, volume e escoamento

Definition
A rega da cannabis é um ciclo de feedback entre frequência, volume e escoamento, ajustado ao substrato, ao vaso e à fase da planta. Estudos em coco (Caplan et al., 2017) mostram que o consumo de água varia acentuadamente conforme a gestão da fertirrigação e a fase de crescimento. O escoamento do fundo do vaso é a melhor ferramenta de diagnóstico do que se passa nas raízes.
Apenas para uso adulto — este guia destina-se a cultivadores com 18 anos ou mais. O conteúdo é educativo e não constitui aconselhamento. A Azarius não presta aconselhamento sobre cultivo na tua jurisdição.
A frequência, volume e escoamento da rega da cannabis formam um ciclo de feedback que ajusta a irrigação ao substrato, ao tamanho do vaso e à fase da planta, de modo a que as raízes recebam oxigénio, nutrientes e humidade no equilíbrio certo. Acertar nisto é o que separa uma tenda produtiva de uma tenda estagnada. Regar a mais afoga as raízes e atrai mosquinhas do substrato; regar a menos atrofia o crescimento e bloqueia a absorção de nutrientes. A solução não está num calendário — está num ciclo de feedback entre o peso do substrato, o tamanho do vaso, o tamanho da planta e aquilo que sai pelo fundo (Zheng et al., 2007) (Zheng et al., 2007) (Burgel et al., 2020).
Porque é que frequência, volume e escoamento são uma só decisão
Regar é um problema de física, não de calendário. A maioria dos guias para iniciantes trata isto como «de 2 em 2 ou 3 em 3 dias». Não é. O que importa é quanta água o substrato retém à capacidade de campo, com que velocidade a planta e a evaporação a retiram, e se os sais que forneces estão a ser arrastados ou a acumular-se na zona radicular. A frequência é ditada pela velocidade a que o vaso seca. O volume é ditado pelo tamanho do vaso e pelo escoamento pretendido. O escoamento (o líquido que sai pelo fundo) é a tua ferramenta de diagnóstico — o pH e a EC dizem-te o que se passa realmente nas raízes.

Terra, fibra de coco e substratos hidropónicos comportam-se de forma suficientemente diferente para que uma regra única não funcione em todos. Estudos em substratos à base de coco (Caplan et al., 2017, HortScience) mostram que o rendimento da cannabis responde de forma acentuada à taxa de fertirrigação e à gestão da rega, com plantas em floração a absorverem substancialmente mais água do que as plantas em fase vegetativa nas mesmas condições (Caplan et al., 2017) (Caplan et al., 2019).
Passo 1 — Saber em que substrato estás realmente a cultivar
O substrato condiciona todas as decisões seguintes. A primeira pergunta não é «com que frequência» — é «em quê».

- Terra (mistura à base de turfa): retém água por mais tempo. Tampona o pH. Alvo de pH na zona radicular 6,2–6,8. Rega quando os 2–3 cm superiores estiverem secos e o vaso estiver visivelmente mais leve ao levantar.
- Fibra de coco: comporta-se mais como hidroponia do que como terra. Alvo de pH 5,8–6,2, EC 1,2–2,0 consoante a fase. Precisa de alimentação em cada rega porque não retém nutrientes próprios. O teor volumétrico de água à saturação ronda os 65% (Athena Agriculture, boletim técnico, 2022) (Saloner & Bernstein, 2020) (UC ANR, 2011).
- Hidroponia (DWC, RDWC, NFT, ebb & flow): a frequência é contínua ou quase contínua. pH 5,5–6,0, EC 1,0–2,2. «Regar» aqui significa gerir a solução nutritiva, não despejar um regador.
Se não sabes qual destes tens, pára e descobre antes de passar ao próximo passo. Uma regra de «regar a cada 3 dias» que funciona num vaso de 5 L de terra afoga uma plântula em 1 L de coco e deixa à míngua uma planta de 15 L de coco em floração na mesma semana.
Passo 2 — Ajustar o volume ao vaso, não ao tamanho da planta
Aplica 10–20% do volume do vaso por rega e procura obter 10–20% disso como escoamento. Esta regra prática cobre a maioria dos cultivos caseiros europeus em terra e coco (UC ANR, 2011).

| Tamanho do vaso | Volume aproximado de rega | Escoamento alvo |
|---|---|---|
| 0,5–1 L (plântula) | 50–150 ml | Umas gotas a 15 ml |
| 5 L | 500–1000 ml | 50–150 ml |
| 11 L | 1,1–2,2 L | 110–330 ml |
| 15–20 L | 1,5–4 L | 150–600 ml |
No coco, vais fornecer volumes mais pequenos com mais frequência — há cultivadores que irrigam 3 a 6 vezes por dia em baixo volume no final da floração. Na terra, volumes maiores com menos frequência. Seja como for: o valor do escoamento importa mais do que o valor da rega. Sem escoamento = acumulação de sais ao longo do tempo. Escoamento a mais = nutrientes desperdiçados e chão encharcado.
Passo 3 — Definir a frequência pelo peso do vaso, não pelo relógio
Levanta o vaso — é esse o método. Vasos saturados são pesados; vasos secos são visivelmente leves. Ao longo de uma semana aprendes o peso do «precisa de rega já» versus «ainda aguenta».

- Plântulas (semanas 1–2): rega a cada 2–4 dias em terra, diariamente ou duas vezes por dia em coco com volumes minúsculos (50–100 ml junto ao caule). O excesso de água mata mais plântulas do que qualquer outra coisa.
- Vegetativo (semanas 3–6 fotoperiódicas, semanas 2–4 autoflorescentes): a cada 1–3 dias em terra, diariamente em coco. As plantas duplicam semanalmente e a procura de água sobe depressa.
- Início da floração (stretch, semanas 1–3 de 12/12): a cada 1–2 dias em terra, 1–3 vezes por dia em coco. A transpiração atinge o pico à medida que a copa se fecha (Burgel et al., 2020).
- Meio e final da floração: consumo máximo. Um vaso de 15 L em terra com uma planta bem desenvolvida sob um LED de 400 W pode beber 2–3 L por dia numa tenda quente.
Limitação honesta: estes intervalos são pontos de partida, não prescrições. O ambiente é metade da equação. Tendas mais quentes, humidade mais baixa, PPFD mais alto e melhor circulação de ar aceleram a transpiração. Uma planta a 900 PPFD com VPD de 1,3 kPa bebe muito mais do que a mesma planta a 500 PPFD e 0,9 kPa — lado a lado, na mesma tenda, a diferença pode ser o dobro (Fluence, 2021).
Passo 4 — Usar o escoamento como diagnóstico, não apenas como drenagem
O escoamento é informação, não desperdício. Uma vez por semana (terra) ou a cada poucas regas (coco), recolhe o escoamento num tabuleiro limpo e mede duas coisas:

- pH: compara o pH do escoamento com o pH da rega. Se regaste a 6,2 e o escoamento sai a 5,4, a zona radicular está a acidificar — espera bloqueio de cálcio/magnésio (Shiponi & Bernstein, 2021).
- EC: compara a EC do escoamento com a EC da rega. EC do escoamento bastante superior à de entrada = sais a acumularem-se; altura de fazer lavagem ou reduzir a força da solução. EC do escoamento muito inferior à de entrada = a planta está a beber muito e podes subir a concentração (Saloner & Bernstein, 2020).
Este é o hábito mais útil que um cultivador pode adquirir. Uma caneta combinada pH/EC barata paga-se a si própria logo na primeira vez que apanhar um bloqueio antes das folhas começarem a enrolar — vale bem o pequeno investimento antes do próximo cultivo.
Vaso têxtil de 15 L com coco na semana 6 de floração, Royal Queen Seeds Northern Light Auto sob LED de 250 W: a EC do escoamento foi subindo dos 1,8 (entrada) para 3,1 ao longo de dez dias enquanto continuámos a alimentar com o mesmo calendário. Sem dano visível nas folhas ainda — mas as mais baixas estavam ligeiramente mais foscas do que deveriam. Duas regas com água simples e 20% de escoamento baixaram o valor para 2,0 e a planta ainda ganhou mais 30 g de peso na última quinzena. Levantar o vaso e adivinhar não teria detectado isto. A caneta detectou.
Passo 5 — Evitar os cinco erros que matam a maioria dos primeiros cultivos
A maioria das falhas em primeiros cultivos resume-se a uma lista curta de reincidentes. Aqui vão:

- Regar em calendário fixo sem olhar ao peso do vaso. Plântulas na semana 2 não precisam do mesmo que plantas na semana 6 de floração.
- Vasos demasiado grandes para plantas pequenas. Uma plântula num vaso de 15 L fica em substrato encharcado durante uma semana. Começa em 0,5–1 L e vai transplantando, ou vai directo ao vaso final apenas com autoflorescentes e rega cuidadosa em baixo volume junto ao caule.
- Nunca medir EC/pH do escoamento. Estás a voar às cegas. Corrige isto primeiro.
- Semanas a fio com regas sem escoamento nenhum. A acumulação de sais é cumulativa e invisível até deixar de o ser (Shiponi & Bernstein, 2021).
- Água gelada directa da torneira. Procura 18–22 °C na zona radicular. Água fria choca as raízes e retarda a absorção; a água da torneira no Inverno anda pelos 8–10 °C.
A água da torneira em Portugal é geralmente adequada para cannabis (dureza moderada na maior parte do país), mas deixa-a repousar 24 horas ou usa um decloridor se estiveres numa zona com cloragem forte. Água de osmose inversa só é necessária se a EC da tua torneira ultrapassar ~0,6.
Uma nota sobre a lavagem (flushing)
Lavagem significa fazer passar água pH-corrigida pelo substrato para retirar sais acumulados. Faz sentido quando a EC do escoamento se mantém persistentemente alta, ou quando um bloqueio a meio do cultivo precisa de reset. Se a lavagem final de duas semanas antes da colheita melhora realmente a qualidade da cura é discutível; um estudo de 2020 (Stenerson & Oden) não encontrou diferenças significativas em canabinóides nem em qualidade de cinza entre plantas lavadas e não lavadas, em períodos de 0, 7 e 14 dias de lavagem. Muitos cultivadores continuam a relatar diferenças subjectivas no sabor. A disciplina na cura importa mais, em qualquer dos casos.

Material de cultivo na Azarius
Para quem está a montar a rega e a medição, a Azarius tem medidores de pH/EC, vasos têxteis em vários tamanhos e linhas de nutrientes compatíveis com coco de marcas como BioBizz, Plagron e Canna. Se ainda estás a escolher genética antes de encomendar sementes, o catálogo de feminizadas e autoflorescentes da Royal Queen Seeds, Dutch Passion e Sensi Seeds é por onde a maioria dos cultivadores caseiros começa — resolve primeiro o substrato e a medição, só depois compra a genética.
Aviso legal: as leis sobre cultivo de cannabis variam por país e região e mudam com frequência. Este guia é educativo. Antes de cultivar, verifica a legislação actual na tua jurisdição específica. A Azarius não presta aconselhamento jurídico.
Referências
- Caplan, D., Dixon, M., & Zheng, Y. (2017). Optimal rate of organic fertilizer during the vegetative-stage for cannabis grown in two coir-based substrates. HortScience, 52(9), 1307–1312.
- Athena Agriculture (2022). Coco substrate VWC and fertigation technical bulletin.
- Stenerson, K. K., & Oden, G. (2020). The impact of flushing on cannabinoid, terpene, and nutrient content of dried cannabis flower. Cannabis Science and Technology, 3(8).
- European Union Drugs Agency (EUDA, anteriormente EMCDDA). Cannabis drug profile, actualizado em 2024.
Última actualização: Abril de 2026
Referências
- Caplan, D., Dixon, M., & Zheng, Y. (2017). Optimal rate of organic fertilizer during the vegetative-stage for cannabis grown in two coir-based substrates. HortScience, 52(9), 1307-1312. https://doi.org/10.21273/HORTSCI11903-17.
- Caplan, D., Dixon, M., & Zheng, Y. (2019). Increasing inflorescence dry weight and cannabinoid content in medical cannabis using controlled drought stress. HortScience, 54(5), 964-969. https://doi.org/10.21273/HORTSCI13510-18.
- Zheng, Y., Wang, L., & Dixon, M. (2007). An upper limit for elevated root zone dissolved oxygen concentration for tomato. Scientia Horticulturae, 113, 162-168. https://doi.org/10.1016/j.scienta.2007.03.011.
- Burgel, L., Hartung, J., Schibano, D., & Graeff-Hönninger, S. (2020). Impact of different phytohormones on morphology, yield and cannabinoid content of Cannabis sativa L.. Plants, 9(6), 725. https://doi.org/10.3390/plants9060725.
- Saloner, A. & Bernstein, N. (2020). Response of medical cannabis (Cannabis sativa L.) to nitrogen supply under long photoperiod. Frontiers in Plant Science, 11, 572293. https://doi.org/10.3389/fpls.2020.572293.
- Shiponi, S. & Bernstein, N. (2021). The highs and lows of P supply in medical cannabis: Effects on cannabinoids, the ionome, and morpho-physiology. Frontiers in Plant Science, 12, 657323. https://doi.org/10.3389/fpls.2021.657323.
- Fulton, A., Schwankl, L., Lynn, K., Lampinen, B., Edstrom, J., & Prichard, T. (2011). Using EM and VERIS technology to assess land suitability for orchard and vineyard development. University of California Agriculture and Natural Resources, Publication 8498. https://anrcatalog.ucanr.edu/pdf/8498.pdf.
- Fluence Bioengineering (2021). Cannabis cultivation guide: Best practices for growing with LED technology. Fluence Technical White Paper. https://fluence.science/science-articles/horticulture-lighting-metrics/.
Perguntas frequentes
8 perguntasCom que frequência devo regar cannabis em terra e em coco?
Que percentagem de escoamento devo procurar obter?
O que me diz a EC e o pH do escoamento?
É possível regar demais em vasos têxteis?
Porque é que a EC do escoamento está mais alta do que a da rega?
Devo regar com as luzes acesas ou apagadas?
Como saber quando regar a minha planta de cannabis levantando o vaso?
Como ajustar a frequência e o volume de rega ao mudar de vegetativo para floração?
Sobre este artigo
Luke Sholl escreve sobre canábis, canabinoides e os benefícios mais amplos da natureza desde 2011, e cultiva pessoalmente canábis em tendas de cultivo caseiras há mais de uma década. Essa experiência prática de cultivo —
Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Luke Sholl, External contributor since 2026. Supervisão editorial por Adam Parsons.
Aviso médico. Este conteúdo destina-se apenas a fins informativos e não constitui aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de utilizar qualquer substância.
Última revisão em 24 de abril de 2026
References
- [1]Caplan, D., Dixon, M., & Zheng, Y. (2017). Optimal rate of organic fertilizer during the vegetative-stage for cannabis grown in two coir-based substrates. HortScience, 52(9), 1307-1312. DOI: 10.21273/HORTSCI11903-17
- [2]Caplan, D., Dixon, M., & Zheng, Y. (2019). Increasing inflorescence dry weight and cannabinoid content in medical cannabis using controlled drought stress. HortScience, 54(5), 964-969. DOI: 10.21273/HORTSCI13510-18
- [3]Zheng, Y., Wang, L., & Dixon, M. (2007). An upper limit for elevated root zone dissolved oxygen concentration for tomato. Scientia Horticulturae, 113, 162-168. DOI: 10.1016/j.scienta.2007.03.011
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- [6]Shiponi, S. & Bernstein, N. (2021). The highs and lows of P supply in medical cannabis: Effects on cannabinoids, the ionome, and morpho-physiology. Frontiers in Plant Science, 12, 657323. DOI: 10.3389/fpls.2021.657323
- [7]Fulton, A., Schwankl, L., Lynn, K., Lampinen, B., Edstrom, J., & Prichard, T. (2011). Using EM and VERIS technology to assess land suitability for orchard and vineyard development. University of California Agriculture and Natural Resources, Publication 8498. Source
- [8]Fluence Bioengineering (2021). Cannabis cultivation guide: Best practices for growing with LED technology. Fluence Technical White Paper. Source
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