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VPD para cannabis: tabela e guia por fase

Definition
O VPD (défice de pressão de vapor) para cannabis é a diferença, em kPa, entre a humidade atual do ar e a saturação possível à mesma temperatura. Os alvos vão de 0,4 kPa em plântulas a 1,6 kPa em floração tardia, escalando com o vigor da planta (Prˇíbilová et al., 2023).
Apenas 18+ Guia para público adulto. O VPD para cannabis é uma medição em quilopascais que te diz se a temperatura e a humidade da tua grow tent estão de facto a trabalhar em conjunto ou, pelo contrário, em conflito silencioso. Acertar no VPD faz com que as plantas transpirem ao ritmo certo — puxando água e nutrientes pelas raízes sem se afogarem em ar estagnado nem secarem sob calor árido. Se erras, apareceem crescimento lento, bloqueio de nutrientes ou botrytis; se acertas, a planta faz aquilo que deve fazer.
Tabela de referência de VPD por fase de crescimento
Os alvos de VPD para cannabis situam-se entre 0,4 kPa nas plântulas e 1,6 kPa no final da floração, subindo gradualmente em cada fase. Os números abaixo são os valores de trabalho que a maioria dos cultivadores indoor procura. O VPD calcula-se a partir da temperatura da folha e da humidade do ar — se não tens um termómetro de superfície foliar, assume que a temperatura da folha fica cerca de 1–3 °C abaixo do ar sob LED e próximo do ar sob HPS (Fluence, 2021).

| Fase | VPD alvo (kPa) | Temp. do ar (°C) | Humidade relativa (%) | Porquê |
|---|---|---|---|---|
| Plântulas / clones | 0,4 – 0,8 | 22 – 26 | 65 – 75 | Raízes subdesenvolvidas não repõem água depressa; VPD baixo protege da dessecação |
| Vegetativa inicial | 0,8 – 1,0 | 22 – 27 | 55 – 70 | Estimula a transpiração sem stressar o tecido jovem |
| Vegetativa tardia | 1,0 – 1,2 | 24 – 28 | 50 – 65 | Plantas robustas; empurra a transpiração para puxar nutrientes |
| Floração inicial (semanas 1–3) | 1,0 – 1,3 | 24 – 28 | 45 – 60 | Fase de transição — o stretch beneficia de VPD ligeiramente mais alto |
| Floração média (semanas 4–6) | 1,2 – 1,5 | 23 – 27 | 40 – 55 | Pico de procura de nutrientes; VPD alto mantém transpiração forte |
| Floração tardia / maturação | 1,3 – 1,6 | 20 – 25 | 35 – 45 | HR mais baixa protege os buds densos de botrytis; a planta já abranda o consumo |
O que o VPD realmente mede
VPD é a diferença, em quilopascais, entre a humidade que o ar contém neste momento e a que poderia conter se estivesse totalmente saturado à mesma temperatura. O ar quente tem um ponto de saturação mais alto do que o ar frio, e é por isso que a humidade relativa isolada é um alvo pobre — 60% de HR a 20 °C corresponde a uma atmosfera muito diferente de 60% de HR a 28 °C, e as plantas sentem a diferença.

A transpiração é o mecanismo que liga o VPD ao crescimento. Segundo Prˇíbilová et al. (2023), a taxa de transpiração em Cannabis sativa escala de forma aproximadamente linear com o VPD entre 0,5 e 1,5 kPa, estabilizando acima disso à medida que os estomas começam a fechar-se defensivamente. Quando os estomas fecham, o CO₂ deixa de entrar na folha, a fotossíntese pára, e o transporte de cálcio (que viaja na corrente de transpiração) abranda — daí o tip burn aparecer em VPDs cronicamente altos mesmo com o EC em ordem.
A temperatura da folha importa mais do que pensas
A temperatura da folha desloca o VPD real em 0,2–0,3 kPa face à leitura do ar, o suficiente para tirar uma planta da sua faixa ideal. O VPD do ar e o VPD da folha não são a mesma coisa. As folhas sob LED ficam mais frias que o ar envolvente porque os LEDs emitem muito pouco infravermelho; as folhas sob HPS ficam mais quentes porque o HPS despeja IR directamente sobre o canopy. Esse desvio de 2–4 °C é a razão da diferença.

Um termómetro de infravermelhos barato (do tipo que se usa em fornos de pizza) apontado a uma folha solar diz-te mais do que qualquer higrómetro. Nos nossos testes de tenda ao longo de uma década com setups LED e HPS, as folhas sob um HPS de 600W ficaram consistentemente 2–3 °C acima do ar, enquanto sob uma quantum board LED ficaram 1–2 °C abaixo — a mesma leitura da sala significava VPDs materialmente diferentes para a planta. Uma limitação honesta: os termómetros de infravermelhos lêem a temperatura de superfície num único ponto, portanto convém fazer várias medições pelo canopy e tirar a média.
Como ajustar o VPD numa grow tent pequena
Para ajustar o VPD numa tenda pequena, muda a humidade primeiro, a temperatura depois e o fluxo de ar em terceiro lugar. Numa tenda caseira de 1–1,5 m², as alavancas práticas são a humidade (humidificador ou desumidificador), a temperatura (intensidade da lâmpada, velocidade do extrator, horário de lights-on) e o fluxo de ar (ventoinha oscilante dentro do canopy). O fluxo de ar não altera o VPD que o teu sensor reporta, mas afina a camada limite de ar parado e saturado que se cola à superfície da folha — e é esse o VPD que a planta experimenta de facto.

Se o VPD está demasiado baixo (ar demasiado húmido ou fresco), um desumidificador costuma ser o primeiro passo na floração, onde subir a temperatura empurraria os buds para uma zona de maturação desfavorável. Se o VPD está demasiado alto (ar demasiado seco ou quente), um humidificador ultrassónico com controlador resolve a questão de forma limpa; baixar o extrator é uma opção mais grosseira que arrisca depleção de CO₂. A Blimburn Seeds (2023) nota que a oscilação entre lights-on e lights-off não deve ultrapassar ~0,4 kPa — grandes oscilações diárias de VPD stressam as plantas mais do que um valor subótimo estável. Para quem quer comprar um controlador, vale a pena um com setpoints separados para dia/noite; é o upgrade que se paga mais depressa.
Apareceu cá um cliente com uma foto de folhas manchadas e estaladiças em plantas na quarta semana de floração, convencido de que tinha deficiência de cálcio e a querer encomendar Cal-Mag. A tenda estava a 30 °C e 40% de HR — VPD à volta de 2,2 kPa. A planta não conseguia mover cálcio porque tinha os estomas fechados há dias. Não precisava de nutrientes; precisava de um humidificador.
Erros comuns com VPD
O erro mais frequente é perseguir um número único em vez de trabalhar dentro de uma faixa. Os alvos de VPD são faixas, não setpoints, e o valor ótimo dentro dessa faixa depende da genética — uma planta dominantemente Kush, criada para climas áridos de montanha, tolera VPDs mais altos que uma sativa húmido-tropical. Cervantes (2015) e os manuais de cultivo subsequentes enquadram de forma consistente a faixa 1,0–1,2 kPa em vegetativa como intervalo amplo de trabalho, com afinação por genética por cima disso.

O segundo erro é medir o VPD apenas à altura do canopy. Um termohigrómetro pousado no chão da tenda ou preso num varão acima do canopy reporta ar que as plantas não respiram. Prende o sensor a meia altura do canopy, longe do feixe directo da luz e longe da pluma do humidificador.
O terceiro: ignorar o período de lights-off. As plantas continuam a transpirar no escuro, e a humidade sobe depressa assim que a lâmpada deixa de aquecer o ar. Uma tenda a 1,2 kPa em lights-on pode cair para 0,4 kPa à noite — aceitável na vegetativa inicial, arriscado na floração tardia, onde esse extremo convida a míldio pulverulento e bud rot. Um desumidificador nocturno ou um pequeno acréscimo do extrator durante o período escuro fecha essa brecha.
VPD e outras métricas ambientais
O VPD trabalha ao lado do PPFD, do DLI e do CO₂, não os substitui. Maior intensidade luminosa exige VPD mais alto, porque a planta está a fotossintetizar com mais intensidade e precisa de mais caudal. CO₂ suplementado (1000–1200 ppm) permite empurrar o VPD ligeiramente mais para cima, porque o enriquecimento com CO₂ compensa em parte o estreitamento estomático causado por VPDs altos. A Athena Agriculture (2022) publicou alvos ambientais para cannabis comercial que emparelham 1,3–1,5 kPa de VPD em floração com ~1000 PPFD e 1000 ppm de CO₂ — é o extremo intensivo, e pressupõe que o teu AVAC aguenta essas condições com o canopy a pleno. Comparado com perseguir apenas PPFD, afinar o VPD dá um retorno maior no orçamento de uma tenda caseira porque o equipamento é mais barato e a margem de erro mais larga.

Para um cultivador caseiro sem suplementação de CO₂, ficar na metade conservadora de cada faixa (digamos 1,0–1,2 kPa em floração média em vez de 1,4–1,5) é quase sempre a aposta melhor. Perdes uma fração do rendimento potencial e ganhas uma margem muito mais larga para quando o tempo lá fora muda. O arquivo de cultivo do MAPS e as referências de cultivo indoor do EMCDDA apoiam alvos conservadores para setups amadores, e a Beckley Foundation tem notas de investigação em ambientes controlados que seguem a mesma linha.
Referências
- Prˇíbilová, M. et al. (2023). Transpiration response of Cannabis sativa L. to vapour pressure deficit under controlled environment. Frontiers in Plant Science.
- Fluence Bioengineering (2021). LED Lighting and Leaf-Surface Temperature in Cannabis Cultivation. Technical whitepaper.
- Athena Agriculture (2022). Environmental Targets for Commercial Cannabis Production. Cultivation reference guide.
- Blimburn Seeds (2023). VPD management for indoor cannabis. Blimburn cultivation resources.
- Cervantes, J. (2015). The Cannabis Encyclopedia. Van Patten Publishing.
- MAPS (Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies). Cultivation environment archive.
- EMCDDA. Cannabis cultivation and indoor environment references.
- Beckley Foundation. Plant science and controlled-environment research notes.
- Humboldt Seed Company. Como ler um gráfico de VPD de cannabis (recurso em português).
Última atualização: abril de 2026

Perguntas frequentes
8 perguntasQual é o VPD ideal para cannabis em floração?
Como medir o VPD com precisão numa grow tent?
O VPD pode ser demasiado baixo para cannabis?
LED ou HPS muda os alvos de VPD?
O VPD deve mudar entre lights-on e lights-off?
Como é que o VPD interage com a suplementação de CO₂?
O que acontece se o VPD for demasiado alto para cannabis?
Como ajusto o VPD na transição do vegetativo para a floração?
Sobre este artigo
Luke Sholl escreve sobre canábis, canabinoides e os benefícios mais amplos da natureza desde 2011, e cultiva pessoalmente canábis em tendas de cultivo caseiras há mais de uma década. Essa experiência prática de cultivo —
Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Luke Sholl, External contributor since 2026. Supervisão editorial por Adam Parsons.
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Última revisão em 24 de abril de 2026
References
- [1]Prˇíbilová, M. et al. (2023). Transpiration response of Cannabis sativa L. to vapour pressure deficit under controlled environment. Frontiers in Plant Science.
- [2]Fluence Bioengineering (2021). LED Lighting and Leaf-Surface Temperature in Cannabis Cultivation. Technical whitepaper.
- [3]Athena Agriculture (2022). Environmental Targets for Commercial Cannabis Production. Cultivation reference guide.
- [4]Blimburn Seeds (2023). VPD management for indoor cannabis. Blimburn cultivation resources.
- [5]Cervantes, J. (2015). The Cannabis Encyclopedia. Van Patten Publishing.
- [6]MAPS (Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies). Cultivation environment archive.
- [7]EMCDDA. Cannabis cultivation and indoor environment references.
- [8]Beckley Foundation. Plant science and controlled-environment research notes.
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