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Wild Dagga (Leonotis leonurus) — Botânica e Fitoquímica

Definition
Leonotis leonurus (L.) R.Br., conhecida como wild dagga ou rabo-de-leão, é um arbusto perene da família Lamiaceae nativo do sul de África, com flores tubulares laranja dispostas em verticilos globosos. Os seus compostos bioactivos dominantes são diterpenóides labdânicos, em particular a marrubiína e a pré-marrubiína, e não a leonurina frequentemente citada em fontes populares (Nsuala et al., 2015).
Um arbusto sul-africano de verticilos cor de laranja
A botânica de Leonotis leonurus — conhecida como wild dagga, rabo-de-leão ou wilde dagga em africânder — ocupa um lugar singular na etnobotânica do sul de África. Trata-se de um arbusto perene da família Lamiaceae (a família da hortelã) que produz flores tubulares de um laranja vivo, dispostas em verticilos globosos e densos ao longo de caules altos e lenhosos. A planta cresce espontaneamente em pastagens, afloramentos rochosos e solos perturbados desde o Cabo Ocidental até ao KwaZulu-Natal, estendendo-se a partes da África Oriental tropical. O nome comum «wild dagga» traduz-se, de forma aproximada, como «cannabis selvagem» — uma referência ao hábito ancestral dos povos Khoikhoi e San de fumarem as folhas e flores desta planta na região do Cabo, muito antes do contacto europeu. Apesar do nome, Leonotis leonurus não tem qualquer relação botânica com Cannabis sativa: pertencem a famílias, ordens e linhagens evolutivas completamente distintas.

Taxonomia e nomenclatura
Leonotis leonurus (L.) R.Br. insere-se na família Lamiaceae, a mesma que inclui ervas culinárias tão familiares como o manjericão, o alecrim e o tomilho. O género Leonotis reúne cerca de nove espécies aceites, todas nativas da África subsaariana, com a excepção de L. nepetifolia, que se naturalizou nos trópicos de todo o mundo. A etimologia do género combina o grego leon (leão) e ous (orelha) — uma alusão à forma da corola, cujas pétalas fundidas lembram vagamente uma orelha peluda. O epíteto específico leonurus reforça a metáfora leonina: «cauda de leão». Robert Brown publicou formalmente o binómio actual em 1810, mas a planta já tinha sido descrita por Lineu em 1753 sob o nome Phlomis leonurus L.

Reconhecem-se geralmente duas variedades dentro da espécie: L. leonurus var. leonurus, com folhas estreitas e lanceoladas e as clássicas flores laranja, e L. leonurus var. albiflora, uma forma de flores brancas que aparece ocasionalmente no comércio hortícola. Um estudo filogenético de Makunga et al. (2020) confirmou que Leonotis forma um clado bem suportado dentro das Lamiaceae, distinto do género superficialmente semelhante Leonurus (erva-das-mães), de origem euro-asiática (Makunga et al., 2020). Confundir estes dois géneros é um erro surpreendentemente frequente na literatura etnobotânica popular — e basta olhar para a morfologia das folhas para os distinguir.
Morfologia — como é a planta na realidade
A wild dagga é um arbusto semi-lenhoso que atinge habitualmente entre 1 e 3 metros de altura, embora exemplares em locais abrigados e bem irrigados possam ultrapassar os 4 metros. Os caules são quadrangulares em secção transversal — um traço clássico das Lamiaceae — e tornam-se lenhosos e algo quebradiços com a idade. As folhas são opostas, estreitamente lanceoladas a ovadas, com 5–10 cm de comprimento e margens crenadas (recortadas). Tanto as folhas como os caules apresentam uma cobertura de tricomas finos que confere à planta uma textura ligeiramente áspera e aromática ao toque.

As flores são, sem dúvida, o elemento mais marcante. Dispõem-se em verticilastros densos e esféricos, espaçados a intervalos regulares ao longo do caule superior, cada verticilo contendo entre 20 e 40 flores individuais. Cada flor é uma corola tubular bilabiada, tipicamente com 40–50 mm de comprimento, densamente coberta de pêlos finos cor de laranja. O lábio superior é encapuzado e fortemente arqueado; o inferior é pequeno e trilobado. A floração atinge o pico no outono austral (março a maio), embora em jardins sem geadas a planta possa florescer esporadicamente durante todo o ano. Na natureza, a polinização é assegurada sobretudo por aves-do-sol (família Nectariniidae), cujos bicos longos e curvos encaixam quase exactamente no tubo da corola — um caso exemplar de ornitofilia (Geerts & Pauw, 2009).
O fruto consiste em quatro núculas encerradas no cálice persistente, que endurece formando uma taça espinhosa após a queda das pétalas. As sementes são pequenas, castanho-escuras e aproximadamente triangulares.
Fitoquímica — os compostos no interior da planta
A classe dominante de compostos bioactivos em L. leonurus é a dos diterpenóides do tipo labdano, em particular a marrubiína e a pré-marrubiína — e não a leonurina, como frequentemente se lê em fontes populares. A química desta planta tem sido investigada desde pelo menos a década de 1930, mas o quadro permanece incompleto. O composto mais citado em textos divulgativos é a leonurina, um pseudo-alcalóide (tecnicamente um 4-guanidino-n-butilsiringato) isolado originalmente do género aparentado Leonurus. A questão de saber se a leonurina está efectivamente presente em L. leonurus em concentrações farmacologicamente relevantes continua em debate: um rastreio fitoquímico de Oyourou et al. (2009) detectou-a apenas em quantidades vestigiais no material foliar, encontrando concentrações bastante mais elevadas dos diterpenóides labdânicos marrubiína e pré-marrubiína (Oyourou et al., 2009).

Outras classes de compostos identificadas incluem flavonóides (nomeadamente glicósidos de apigenina e luteolina), glicósidos iridóides e terpenóides voláteis que contribuem para o cheiro pungente e ligeiramente resinoso da planta. Um estudo mais recente por LC-MS, conduzido por Nsuala et al. (2015), identificou mais de 30 metabolitos secundários em extractos etanólicos de folhas, sendo a marrubiína e os ésteres de nepetoidina os mais abundantes (Nsuala et al., 2015). A fracção diterpenóide — e não a leonurina — parece ser a classe bioactiva dominante com base nos dados analíticos actuais, embora a farmacologia de cada composto individual esteja ainda a ser mapeada em modelos celulares e animais, e não em ensaios clínicos humanos.
Em termos simples: a afirmação popular de que «a leonurina é o composto activo da wild dagga» é uma simplificação excessiva. A química real é mais variada, e o composto mais associado à reputação tradicional da planta pode, na verdade, ser um constituinte minoritário.
Comparação com espécies semelhantes de Lamiaceae
Leonotis leonurus é mais frequentemente confundida com duas parentes: Leonotis nepetifolia (klip dagga) e Leonurus cardiaca (erva-das-mães). A tabela seguinte resume as diferenças-chave, úteis tanto para identificação no campo como para quem procura adquirir material botânico da espécie correcta.
| Característica | L. leonurus (wild dagga) | L. nepetifolia (klip dagga) | Leonurus cardiaca (erva-das-mães) |
|---|---|---|---|
| Família | Lamiaceae | Lamiaceae | Lamiaceae |
| Ciclo de vida | Arbusto perene | Anual ou perene de vida curta | Herbácea perene |
| Forma da folha | Estreita, lanceolada | Larga, cordiforme | Palmada, profundamente lobada |
| Cor da flor | Laranja vivo (branca na var. albiflora) | Laranja, por vezes mais pálida | Rosa a púrpura pálido |
| Distribuição nativa | Sul de África | África tropical, agora pantropical | Europa Central e Ásia |
| Diterpenóide principal | Marrubiína | Marrubiína (menor concentração) | Leonurina (confirmada) |
| Altura | 1–3 m (até 4 m) | 0,5–2,5 m | 0,5–1 m |
A distinção tem consequências práticas: se encomendares um produto de Leonotis e receberes folhas largas e cordiformes, é muito provável que tenhas L. nepetifolia em vez de L. leonurus. Ambas as espécies são usadas tradicionalmente, mas os seus perfis fitoquímicos diferem na concentração e proporção dos diterpenóides-chave.
Botânica da wild dagga comparada com a da cannabis
A botânica de Leonotis leonurus diverge da de Cannabis sativa em todos os níveis taxonómicos acima da ordem. Embora ambas as plantas produzam tricomas resinosos e terpenóides aromáticos, as semelhanças terminam aí. L. leonurus pertence à ordem Lamiales (eudicotiledóneas); Cannabis sativa insere-se nas Rosales. Os tricomas da wild dagga produzem diterpenóides (marrubiína, pré-marrubiína) em vez de canabinóides, e as suas flores são zigomórficas (bilateralmente simétricas), ao contrário dos aglomerados pequenos e polinizados pelo vento da cannabis. O relatório do EMCDDA (2023) sobre novos produtos herbais assinala que muitas plantas comercializadas ao lado da cannabis não partilham qualquer sobreposição farmacológica com o THC ou o CBD, e a wild dagga é um exemplo claro disso (EMCDDA, 2023).

| Traço botânico | Leonotis leonurus | Cannabis sativa |
|---|---|---|
| Família | Lamiaceae | Cannabaceae |
| Ordem | Lamiales | Rosales |
| Secção do caule | Quadrangular | Circular (com sulcos) |
| Simetria floral | Zigomórfica (bilabiada) | Actinomórfica / reduzida |
| Polinização | Ornitofilia (aves-do-sol) | Anemofilia (vento) |
| Metabolitos secundários principais | Diterpenóides labdânicos, flavonóides | Canabinóides, monoterpenóides |
| Produto dos tricomas | Marrubiína, pré-marrubiína | THC, CBD, CBG |
Habitat, ecologia e cultivo
L. leonurus prospera em solos bem drenados, arenosos ou franco-arenosos, em pleno sol, ao longo da sua área de distribuição nativa no sul de África. É tolerante à seca quando estabelecida, sobrevivendo sem dificuldade aos invernos secos do bioma fynbos do Cabo Ocidental. O South African National Biodiversity Institute (SANBI) classifica a espécie como «Pouco Preocupante», sendo comum ao longo de bermas de estrada, em terrenos agrícolas abandonados e nas margens de floresta indígena (SANBI, 2023). Tolera solos pobres e geadas ligeiras (até cerca de −3 °C por períodos breves), o que a tornou popular em jardins de clima mediterrânico na Califórnia, no sul da Austrália e no sul da Europa — incluindo Portugal, onde as condições do Algarve e do litoral alentejano lhe são particularmente favoráveis.

Fora da sua área nativa, L. leonurus pode tornar-se ligeiramente invasiva: auto-semeia-se com facilidade em solo perturbado e foi sinalizada como erva daninha ambiental menor em partes do Havai e da costa californiana. Em cultivo europeu, comporta-se geralmente bem, morrendo na parte aérea em invernos rigorosos e rebrotando a partir do porta-enxerto na primavera, desde que as temperaturas se mantenham acima de cerca de −5 °C. Cresce rapidamente a partir de semente (germinação em 14–21 dias a 20 °C) e pode atingir o tamanho de floração numa única estação de crescimento.
As flores secas de wild dagga têm um aroma distinto de feno e resina que nada tem a ver com cannabis — está mais próximo de salva seca com um toque ligeiramente amargo e apimentado. O material fresco é bastante mais pungente. Os extractos concentrados 20x intensificam consideravelmente essa nota resinosa.
Uso tradicional no sul de África
As comunidades Khoikhoi da região do Cabo fumavam folhas e flores de L. leonurus muito antes do contacto europeu — uma prática documentada por colonos já no século XVII. O nome zulu umunyane e o nome xhosa umfincafincane aparecem em fontes etnográficas do século XIX. Uma revisão de Nsuala et al. (2015) cataloga preparações tradicionais que incluem decocções de folhas aplicadas topicamente para afecções cutâneas, infusões de flores tomadas oralmente para estados febris, e material floral seco fumado isoladamente ou misturado com outras ervas. Num inquérito transversal de 2021 a praticantes de medicina tradicional no Cabo Oriental, L. leonurus figurou entre as dez plantas mais frequentemente citadas, sobretudo no contexto de preparações tópicas e misturas para fumar (Chanyandura et al., 2021).

Convém ser claro: a base de evidência publicada em revistas com revisão por pares para efeitos farmacológicos específicos em humanos é escassa. A maioria dos estudos publicados são trabalhos in vitro ou em modelos com roedores. Nenhum ensaio clínico randomizado e controlado em humanos tinha sido publicado até ao início de 2026. A reputação da planta assenta quase inteiramente em documentação etnográfica e relatos anedóticos — o que é honesto, mas também a realidade para um grande número de ervas tradicionais nesta categoria.
Como se preparam os produtos de wild dagga
As flores e folhas secas de wild dagga são a preparação mais comum disponível no mercado etnobotânico. As flores são tipicamente colhidas no pico da floração, secas ao ar a temperaturas baixas para preservar o conteúdo de diterpenóides, e vendidas como material seco solto ou em porções pré-medidas. Os extractos concentrados — geralmente rotulados como 5x, 10x ou 20x — são produzidos extraindo o material vegetal seco com etanol ou outro solvente de grau alimentar, evaporando depois o solvente e re-depositando o extracto concentrado sobre um volume menor de material foliar. O número «x» indica a proporção entre a matéria-prima de partida e o produto final, em peso.

A comparação com a cannabis, que surge com frequência, é enganadora. As duas plantas não partilham qualquer química relevante, e a experiência subjectiva descrita na literatura etnográfica é bastante diferente. É mais útil pensar na wild dagga no contexto de outras preparações suaves de Lamiaceae — mais próxima de uma tisana herbal forte do que de qualquer coisa que se assemelhe a um efeito canabinóide. Como o EMCDDA nota no seu relatório sobre novos produtos herbais, muitas plantas comercializadas como «alternativas à cannabis» têm perfis farmacológicos que não guardam qualquer semelhança com o THC ou o CBD (EMCDDA, 2023).
Combustão e precaução respiratória
Queimar qualquer erva seca — seja tabaco, cannabis, damiana ou wild dagga — produz alcatrão, monóxido de carbono e partículas finas. Não existe um método de inalação por combustão que seja «seguro». A vaporização a temperaturas mais baixas reduz (mas não elimina) a exposição a partículas; a filtração por água arrefece o fumo, mas não filtra o alcatrão de forma significativa. Qualquer pessoa com asma, DPOC ou outras condições respiratórias deve evitar por completo a inalação de material vegetal em combustão.

Este artigo é de carácter educativo e não constitui aconselhamento médico. Os usos tradicionais e cerimoniais são descritos para contexto cultural e histórico. Plantas podem interagir com medicamentos e não substituem cuidados profissionais. Se estiveres grávida, a amamentar, a tomar medicação prescrita ou a gerir uma condição de saúde, consulta um profissional de saúde qualificado antes de qualquer utilização.
Referências
- Chanyandura, J.T., Egan, B. et al. (2021). Social pharmacology and the most commonly used medicinal plants in the Eastern Cape, South Africa. Frontiers in Pharmacology, 12, 735820.
- EMCDDA (2023). European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction — Novel herbal products overview. Lisbon: EMCDDA.
- Geerts, S. & Pauw, A. (2009). African sunbirds hover to pollinate an invasive hummingbird-pollinated plant. Oikos, 118(4), 573–579.
- Makunga, N.P. et al. (2020). Phylogenetic placement and phytochemical review of Leonotis (Lamiaceae). South African Journal of Botany, 130, 156–165.
- Nsuala, B.N., Enslin, G. & Viljoen, A. (2015). «Wild cannabis»: A review of the traditional use and phytochemistry of Leonotis leonurus. Journal of Ethnopharmacology, 174, 520–539.
- Oyourou, J.N., Combrinck, S., Regnier, T. & Marston, A. (2009). Purification, stability and antifungal activity of marrubiin from Leonotis leonurus. Phytochemistry Letters, 2(4), 186–189.
- SANBI (2023). Leonotis leonurus (L.) R.Br. Red List of South African Plants. South African National Biodiversity Institute.
Última actualização: abril de 2026
Perguntas frequentes
11 perguntasA wild dagga tem relação com a cannabis?
Qual é o principal composto ativo da Leonotis leonurus?
É possível cultivar wild dagga na Europa?
Qual é a diferença entre Leonotis leonurus e Leonotis nepetifolia?
Existem ensaios clínicos em humanos sobre a wild dagga?
Onde posso comprar flores e extratos de wild dagga?
Qual é o cheiro e o sabor da wild dagga?
A wild dagga é a mesma coisa que agripalma (motherwort)?
Como a botânica da wild dagga Leonotis leonurus difere de outros arbustos da família Lamiaceae?
O que poliniza a wild dagga na natureza?
Posso encomendar extrato de wild dagga online?
Sobre este artigo
Adam Parsons é um redator, editor e autor experiente na área de cannabis, com uma longa trajetória de colaborações em publicações do setor. Seu trabalho abrange CBD, psicodélicos, etnobotânicos e temas relacionados. Ele
Este artigo wiki foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Adam Parsons, External contributor. Supervisão editorial por Joshua Askew.
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Última revisão em 26 de abril de 2026
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